Ex-funcionária relata assédio sexual de colega de trabalho dentro de prefeitura em MG após saber de outra suposta vítima
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulher denuncia caso de assédio sexual na Prefeitura de Bom Despacho
Daiane Sabrine Sousa, de 33 anos, profissional de educação física, denunciou publicamente, em um vídeo postado nas redes sociais, um caso de assédio sexual do qual foi vítima em 2021, dentro da Secretaria Municipal de Saúde de Bom Despacho.
Na época, ela atuava na área interna de regulação de exames e consultas da secretaria. O servidor denunciado é um fisioterapeuta que trabalhava na mesma pasta.
Documentos de um processo administrativo, aberto pela prefeitura naquele período, confirmam que a denúncia chegou a ser formalizada internamente. Segundo a ex-funcionária, o profissional foi afastado por 10 dias e, em seguida, retornou ao trabalho em nova função.
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Após o episódio, Daiane deixou o trabalho na prefeitura e se mudou para os Estados Unidos (EUA). Ela afirma que não registrou boletim de ocorrência na época e que decidiu expor o caso anos depois ao descobrir que outra mulher também teria sido vítima de assédio pelo mesmo homem.
Em nota, a Prefeitura de Bom Despacho informou que adotou todas as medidas cabíveis, "garantindo o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa". A administração pública completou que, por se tratar de procedimento em andamento, não divulgaria informações adicionais. Leia a nota na íntegra ao fim da reportagem.
O g1 também procurou o servidor citado, mas, até a última atualização desta reportagem, não havia recebido retorno. A reportagem também fez contato com a vítima mencionada por Daiane e aguarda resposta.
Convite inadequado e bilhete
No depoimento, Daiane contou que o primeiro episódio aconteceu ainda em 2020, após uma conversa aparentemente comum durante o horário de almoço. Ele percebeu que ela assistia a um filme no celular e pediu indicações.
Dias depois, segundo ela, o então colega, que era casado, a chamou até a mesa dele e a convidou para assistir a um filme à noite, na casa dele.
“Eu falei: vamos assistir a um filme eu, você e a sua esposa? E ele respondeu que a esposa não estava em casa. Fiquei muito constrangida, virei a cadeira e voltei a trabalhar”, disse.
No dia seguinte, ela afirma ter recebido um bilhete escrito à mão pelo colega. No texto, ele dizia que estava 'testando' a reação dela. Veja abaixo.
“Vamos conversar sobre ontem? Eu estava fazendo um teste com você e amei sua atitude. Preciso de pessoas em quem posso confiar. Se você tivesse aceitado eu iria desmarcar”, dizia o papel.
De acordo com Daiane, ele ainda a procurou depois para pedir desculpas. Foi quando ela deixou claro "que ele não deveria ter esse tipo de liberdade com ela".
Bilhete entregue a Daiane um dia depois do convite para ver um filme
Daiane Sousa/Arquivo Pessoal
Relato de sonho de cunho sexual
Meses depois, em novembro de 2021, Daiane afirma que houve um novo episódio. Ela lembra que estava no setor, durante o horário de almoço, quando o servidor se aproximou e começou a relatar um sonho com conteúdo erótico.
O teor do relato também aparece registrado no processo administrativo. Conforme o documento, o servidor contou que, no sonho, os dois haviam viajado a trabalho e precisaram dividir um quarto.
“Ele falou que, no sonho, eu saía de toalha do banheiro e que era algo parecido com ‘50 Tons de Cinza’. Disse que, no sonho, eu era boa de cama, mas que eu não tinha cara de ser boa de cama”, detalhou Daiane.
Abertura de processo administrativo
Após a conversa constrangedora, ela procurou uma gerente e decidiu formalizar a denúncia no setor de Recursos Humanos.
“No setor de RH, eu entrei com a gerente, e o denunciado foi atrás, com a desculpa de que ia falar de um colaborador em férias. Ele permaneceu próximo à porta enquanto eu falava. Ficou ouvindo a conversa”.
Segundo Daiane, o fisioterapeuta chegou a entrar na sala para pedir desculpas e dizer que não teve intenção de ofender. “Teve uma hora que ele voltou à sala até com o filho no colo, dizendo que era um homem de família e que não tinha tido má intenção”.
A denúncia resultou na abertura de um processo administrativo na Prefeitura de Bom Despacho em 2021. O fisioterapeuta teve a função alterada e recebeu uma suspensão de 10 dias. Para Daiane, a punição foi branda. Anos depois, ela decidiu denunciar publicamente o fato.
“Uma amiga me contou que ele tinha importunado outra colaboradora da prefeitura. Eu fiquei indignada e com medo de não dar em nada novamente. Então me prontifiquei a dar depoimento, contando o meu caso, e gravei o vídeo que publiquei nas redes sociais”, detalhou.
Nota da Prefeitura de Bom Despacho
"A Prefeitura Municipal de Bom Despacho informa que desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos, a Administração adotou as medidas cabíveis, com a abertura de procedimento administrativo para apuração rigorosa da denúncia, garantindo o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme determina a legislação vigente.
A Prefeitura de Bom Despacho não compactua com qualquer forma de assédio, abuso ou conduta que viole a dignidade das pessoas, mantendo compromisso permanente com a ética, o respeito e a integridade no ambiente de trabalho e no atendimento à população.
Ressaltamos que, por se tratar de procedimento em andamento, não serão divulgadas informações adicionais neste momento, a fim de preservar as partes envolvidas e assegurar a lisura da apuração".
Processo administrativo resultou em 10 dias de suspensão para o servidor
Daiane Sousa/Arquivo Pessoal
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